08/04/2019

“São meus amores”, exclama mãe de dois filhos autistas, em Holambra

Jéssica Pedroso Maciel de Araújo é mãe de Kauã e Kesiah

Michael Harteman

“Deus dá filhos especiais para pais especiais, acredito muito na inteligência e no potencial deles”, é assim, sorrindo, que Jéssica Pedroso Maciel de Araújo, moradora de Holambra, se refere aos dois filhos, que são diagnosticados com autismo. Kauã Pedroso de Araújo, tem dez anos, e Kesiah Pedroso Gonçales de Araújo, três.

Kauã nasceu quando Jéssica tinha 17 anos. O menino foi crescendo e a mãe fazia de tudo para que o menino pudesse crescer saudável. “Tive uma gestação muito normal, um parto normal, quando o ele nasceu foi a coisa mais incrível que aconteceu na minha vida”, exclama Jéssica.

O menino foi crescendo sem que a mãe percebesse que qualquer problema ou diferença no comportamento. “Diversas vezes eu fui chamada na escola. Falaram para mim que ele teria que passar na psicóloga, para mim foi muito difícil, eu pensava que meu filho não era louco pra ter que passar por uma psicóloga. Eu não aceitava que meu filho era diferente no começo. Era muito difícil, eu não queria saber das pessoas falando do meu filho assim, eu era mãe de primeira viagem e não aceitava”, conta Jéssica.

Jéssica e o marido, Tiago Gonçales de Araujo, trabalhavam para poder cuidar de Kauã da melhor maneira possível, mas sem suspeitarem de que o menino poderia ter autismo. No entanto, Jéssica conta que as coisas começaram a mudar quando Kauã foi para a primeira série. Chamada para uma reunião de pais, ela ouviu algo que a impactou. “Me explicaram que era uma escola pra crianças especiais. Eu até concordei, mas fiquei meio na dúvida. Eu não queria aceitar que meu filho era diferente”, relembra.

A palavra ‘autismo’, no entanto, só apareceu quando Jéssica encontrou uma outra mãe. “Um dia eu fui buscar ele e encontrei uma mãe que tem um filho autista, no caso dela era um caso até mais grave, ela olhou pra mim e falou, você é mãe do Kauã, seu filho é autista né. Eu neguei e disse que ele não tinha esse problema”, conta. Sem acreditar, Jéssica ficou com aquilo na cabeça e começou a pesquisar mais sobre o problema.

Com o problema enfim descoberto, foi a vez de procurar ajuda profissional. Jéssica conta que não encontrou um médico especialista na rede pública, e que recebeu ajuda dos pais e de sua chefe para pagar as consultas. No entanto, não foram somente essas as dificuldades encontradas por ela e pelo marido. “Foi uma luta pra que a gente conseguisse colocar ele na escola. A gente sofreu bastante preconceito. Eles não queriam fazer a inclusão do Kauã, pois achavam que ele dava muito trabalho, foi uma luta muito grande pois ele precisava de um cuidador individual”, conta.

Quando Kauã tinha sete anos, nasceu Kesiah Pedroso Gonçales de Araújo. Não demorou para que os pais percebessem que a linda menina também tinha um comportamento diferente. “Quando eu tive a Kesiah eu comecei a notar nela as mesmas coisas que eu via no Kauã, aí fui atrás para saber se ela era autista também e já deu o laudo de que ela tinha autismo infantil”, rememora a mãe. Jéssica conta que o comportamento da menina era bem diferente. “Ela não olhava nos olhos da gente, você brincava com ela e ela não brincava com você. Ela era muito nervosa, queria bater, gritar”, explica.

Com dois filhos com o mesmo diagnóstico, Jéssica conta que precisou de bastante ajuda para os gastos com os médicos. “Eles têm que passar por consulta que a gente não tem dinheiro para pagar. É complicado a vida que a gente leva”, exclama.

Kauã é um menino simpático e inteligente. Amante dos animais, sonha em ser biólogo. “Ele fala pra mim que quer fazer essa faculdade, e eu vou lutar pra um dia realizar o sonho dele”, garante Jéssica. Kesiah é centrada, focada. Aprende tudo com muita facilidade. “Ela é uma menina incrível, só de assistir os desenhos ela já aprendeu o nome dos animais e as cores em inglês”, afirma Jéssica.

Kauã e Kesiah são crianças que tem muito a ensinar. Vivem num ambiente familiar onde são amados e bem cuidados. “Eu não seria tão feliz se eles não fossem assim, exatamente como eles são”, afirma, orgulhosa, a mãe.

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