17/10/2019

Museu de Holambra oferece emocionante viagem no tempo

Visita será como um mergulho profundo em uma época bem diferente de hoje e te proporcionará um sentimento incapaz de ser registrado por qualquer câmera fotográfica

Mariana Avanzzi

Você sabia que existe uma máquina do tempo em Holambra? Não? Então pera lá que vou contar sobre a viagem do tempo que se pode fazer dentro do Museu de Holambra.

Claro que ao visitar a famosa Cidade das Flores, você quer tirar uma foto no magnífico Moinho Povos Unidos, experimentar a extraordinária gastronomia holandesa, visitar o Deck do Amor e por ai vai, mas você não pode perder a oportunidade de fazer uma viagem do tempo e entender como tudo começou. Holambra deve tudo o que é hoje aos holandeses que passaram pela difícil imigração. Uma visita ao Museu seria como um mergulho profundo em uma época bem diferente e te proporcionará um conhecimento e sentimento incapaz de ser registrado por qualquer câmera fotográfica.

Bom, não precisa de muita sorte para que você por lá encontre o voluntário e presidente do museu; Johannes Eltink. Uma dica, ele não gosta da palavra “presidente”, portanto troque por “coordenador do museu”. Esse simpático senhor de 78 anos é quem te faz mergulhar na cultura holandesa de uma forma incrível. Ele é holandês e chegou aqui com 12 anos de idade em 1953, com toda sua família. “Tudo começou com uma pequena colônia, com poucos recursos e tínhamos que nos virar com o que tinha. Aqui era uma fazenda que foi indicada pelo governo para começarmos a produzir e recomeçar a vida”, lembra Eltink.

A história é instigante, quando os holandeses chegaram na Fazenda Ribeirão por volta de 1948, eles começaram a trabalhar com avicultura, agricultura e pecuária, mas as dificuldades foram surgindo e como desistir nunca foi uma opção, começaram buscar outras alternativas e a trabalhar o solo para o cultivo de flores. Apesar de não ser a ideia inicial, em 1958 alguns deles começaram com as flores de forma devagar e amadora. “As primeiras flores eram levadas para São Paulo no porta-malas dos carros, foi assim que tudo começou”, afirma.

No museu existe um casa de pau a pique, assim como as casas que os holandeses construíram quando chegaram no Brasil, toda mobiliada e decorada com objetos da época. Do outro lado, existe uma capelinha. Cada objeto carrega uma história surpreendente. O sino da capela veio da Holanda e escapou dos nazistas. O objeto ficou enterrado durante cinco anos e foi trazido para cá depois da Segunda Guerra Mundial. “Quando os nazistas estavam recolhendo o cobre e o bronze de todos os castelos, conventos e igrejas, as irmãs do convento enterram o sino para impedir [que o objeto fosse levado] e quando acabou decidiram trazer para o Brasil”, conta Eltink.  Pois é, quando é dito que cada objeto tem uma história, não estou dizendo que é qualquer história. É um fato, tudo lá rico em conhecimento, detalhes e marcas de uma trajetória um tanto quanto desafiadora.

Eltink lembra claramente dos velhos tempos. Em meio tantos artigos do museu, existe um fogão que era utilizado com carvão mineral, era de sua família e foi trazido da Holanda. Ele conta que ao olhar para o ambiente ainda visualiza a cena daquele tempo. O clima frio de Holanda, sua vó sentada na cadeira costurando, a família em volta do fogão que funcionava como um aquecedor. Ele chega na companhia dos primos com o tamancos molhados, retiram aqueles famosos sapatinhos de madeira e os colocam no compartimento para que o fogão pudesse seca-los. Enquanto isso, competiam um lugar para aquecer os pezinhos no que ele chama de “Pescoço do fogão”, e lá ficavam reunidos espantando o frio e aquecendo o coração em harmonia familiar.

Tudo no museu tem marcas de um tempo, mas é cuidadosamente preservado. Naquela época nada era feito com materiais novos, tudo era reciclável com produtos usados e adaptados conforme a necessidade. Atravessar o continente e mudar para outro país não foi tarefa fácil em meio a uma crise mundial. Se adaptar em um país desconhecido com idioma, clima, alimentação e solo diferente foi labuta árdua para os holandeses. Mas eles vieram com tudo e conseguiram vencer toda e qualquer diferença.

Ao conhecer a história, podemos perceber que nesse recomeço, os dias cinzentos vivenciados foram aos pouquinhos ganhando cor. Aliás, um colorido permanente que agora é admirado por milhares de pessoas. Sim! depois das adversidades, a vida floresceu para os holandeses aqui no Brasil e as flores nunca mais pararam de enfeitar os jardins da amada Holambra.

Serviço

Horário de funcionamento: Finais de semana (sábado e domingo) e feriados: 10h – 17 h.

Telefone: (19) 3802.2053

Email: [email protected]

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