27/03/2019

Educador de Holambra defende parceria entre escola e sociedade

“É preciso tirar lições de tragédias para que elas nunca mais aconteçam”, afirma Fabiano Soares Lima

Michael Harteman

De acordo com diversos pesquisadores contemporâneos, a modernidade contribui para que as pessoas se tornem cada vez mais individualistas. “Na sociedade contemporânea, emergem o individualismo, a fluidez e a efemeridade das relações”, dizia o sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Não é difícil – na verdade é bem fácil – encontrarmos pessoas com as frontes abaixadas o tempo todo, fazendo do celular o único objeto de interesse. Esse é apenas um dos sinais de que temos nos tornado cada vez mais individuais e insensíveis ao que acontece ao nosso redor.

Com tanta individualidade, o altruísmo, qualidade de alguém que pensa no próximo, está cada vez mais escassa. Resultado disso é uma sociedade cada vez mais depressiva e que não consegue achar saída para os problemas da vida.

Felizmente ainda existem pessoas capazes de tratar os problemas do próximo como sendo seu. Fabiano Soares Lima é a prova disso. Morador de Holambra e educador social, ele conta que já fez diversos tipos de serviços voluntários. Aliás, fez e continua fazendo.

O mais novo projeto é denominado ‘Movimento Reconectar’, e tem como objetivo se aproximar de crianças e adolescentes, oferecendo-lhes atenção, carinho e, também, acompanhamento técnico. “Acho que a grande necessidade hoje é a gente começar a ouvir os alunos. O diálogo com o aluno e ver ele falar, se posicionar e se sentir presente, saber que a voz dele está sendo ouvida dentro das escolas”, pontua.

Fabiano já desenvolveu projetos em diversas cidades, como São Paulo (SP), Mogi Guaçu (SP), Jaguariúna (SP), Artur Nogueira (SP), Campinas (SP). “Aqui a gente realiza algumas atividades na Ibrantina Cardona, tenho o apoio da direção do colégio e recentemente fizemos um evento com eles”, conta Fabiano, que nasceu e vive em Holambra.

O evento citado ocorreu no último dia 20 de março, quando o ‘Movimento Reconectar’ visitou a escola para fazer uma reflexão com os alunos. “Fomos na escola falar sobre amor, amizade, ressignificação, falamos sobre coisas boas. A direção da escola queria que falássemos algo, não que desse ibope para a tragédia, mas que levantasse o ânimo deles, falasse sobre amor e trouxesse alguma reflexão”, exclama Fabiano, e ressalta: “é preciso tirar lições de tragédias para que elas nunca mais aconteçam”.

Se engana quem pensa que o trabalho desenvolvido pelo projeto se limita apenas a dar uma palestra e ir embora. “Estamos habituados a ver alguém só falar e o outro só escutar, mas a gente quer ouvir os alunos e conhecer as dúvidas e os dilemas deles, saber o que está o perturbando e fazendo eles perderem a atenção. Isso facilita para que o ensino seja aplicado de forma mais objetiva e possa ter sentido na cabeça deles. O bate papo serve muito pra isso”, salienta o educador.

Fabiano conta que é preciso olhar para os problemas que os jovens passam de maneira especial e com carinho. “É preciso iluminar o problema do jovem e fazer ele entender que tem alguém ali para ouvir o que ele está passando e, também, para consola-lo e ajuda-lo”, exclama. Em 2018, preocupado com o tema ‘suicídio’, o projeto fez um evento na Ibrantina.

“É um tema pesado e, também, um tabu, até os pais tem dificuldade de conversar com os filhos. Mas quando você joga luz no problema, você percebe que tem um monte de gente passando por isso, várias pessoas estão depressivas, isoladas e perturbadas, estão passando por bullying e que em sua mente ela pode achar que não vale a pena continuar, a pessoa pensa em largar a escola, a família ou até mesmo em tirar a própria vida”, comenta.

Fabiano fala que o objetivo durante o evento é quebrar as barreiras entre educador e aluno, podendo ter um contato limpo, sem ruído com a pessoa que está passando por problemas. “Se eu não tiver uma palavra técnica para ajudar ela, o mínimo que eu posso fazer é o oferecer um abraço, um consolo. Em seguida, a gente leva essa pessoa até nossos parceiros. Hoje no grupo temos psicólogos, professores e diversos profissionais que muitas vezes não estão nas palestras, mas que estão junto com a gente no movimento”, completa Fabiano.

Escola e Sociedade

Fabiano acredita que a melhor maneira de cuidar dos jovens é através de uma parceria entre escola e sociedade. Propõe que todo o conhecimento que está dentro da escola seja somado com os ensinamentos que estão fora dela. “É importante que as escolas façam parceria com a sociedade e tragam pessoas comprometidas para dentro dela. Pessoas que apoiem e façam a diferença”, comenta. O educador na verdade está pedindo que as portas das escolas estejam abertas para quem queira ajudar.

Suzano, um sinal de alerta

Olhar para Suzano como um caso isolado e distante não é o caminho ideal para Fabiano. Ele acredita que a tragédia demonstra o estado atual de boa parte dos jovens. “Temos uma geração que tem dificuldades de se expressar. Que não consegue se sentar para ouvir, uma geração viciada em fast food, eles querem tudo muito rápido e não conseguem absorver nada de bom. Essa geração precisa ser acompanhada e assistida”, ressalta.

Todo o trabalho de Fabiano tem como intuito o futuro. Tudo se resume em ajudar as crianças e jovens de hoje para que eles possam ser pessoas mais completas no decorrer dos anos. “Precisamos de um acompanhamento diário para que lá na frente tenhamos uma geração curada e saudável”, conclui.

Quem tiver interesse em ajudar o ‘Movimento Conectar’ pode entrar em contato pelo e-mail [email protected]

Assista ao vídeo

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