16/10/2017

Professor de Holambra fala sobre profissão e educação no município

Antônio Marcos Nonato de Araújo dá aula há nove anos no município e revela tristezas e alegrias da profissão

Da redação

No último domingo (15) foi comemorado o Dia do Professor. A profissão, uma das mais antigas do mundo, atravessou os séculos intacta, mantendo sua característica de ajudar a formar cidadãos através da arte de ensinar. No Brasil, no entanto, sabe-se que os professores estão entre os profissionais mais desvalorizados no mercado de trabalho. Salários baixos, condições precárias e desrespeito (muitas vezes dos próprios alunos) estão entre os obstáculos que os educadores enfrentam dia após dia. Mas, mesmo com tantos pontos adversos, o que leva alguém a querer seguir a carreira de professor?

Para responder esta e outras perguntas, a equipe do Portal Holambrense conversou com Antônio Marcos Nonato de Araújo. Aos 34 anos, ele atua como professor em Holambra há nove anos. Perguntado sobre o motivo que o levou a seguir a carreira de educador, responde sem titubear: “amor e inspiração”. Nesta entrevista, ele conta quais são as maiores tristezas e alegrias da vida de um professor, além de fazer uma avaliação da educação municipal em Holambra.

Leia a entrevista completa:

Qual a maior dificuldade em exercer esta função? A desvalorização, que é maior a cada dia que passa. Mas digo isso de forma geral, em todo país.

E a maior alegria? Saber que fui importante e fiz a diferença na vida de um aluno. Acompanhar e ver o progresso dos meus alunos. Essa é, com certeza, minha maior alegria.

Você teve algum professor que te marcou e o fez escolher este rumo? Sim. Dona Therezinha. Ela parecia um pouco rabugenta, mas, na verdade, era uma mulher de fibra. Já queria ser professor antes, mas, depois que a conheci, tive certeza.

Como as crianças de hoje em dia veem o professor? Elas têm o desejo de seguir esta carreira? O olhar da criança depende muito do olhar de seus familiares, mas muitos ainda dizem querer serem professores no futuro. Isso também me deixa feliz.

Você se sente valorizado como professor? No município em que trabalho, sim. Mas como disse anteriormente, o sistema tem desvalorizado a figura do professor.

Quais conquistas o setor conseguiu ao longo dos anos? Conseguimos alcançar excelentes resultados no IDEB, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. Vejo isso como uma conquista importante. Reconhecimento direto do nosso trabalho em sala de aula.

O que falta conquistar? Acredito que muitas são as metas almejadas. Mas continuar avançando na qualidade da Educação é o principal alvo a ser atingido. Buscar fazer sempre mais e melhor deve ser nosso principal objetivo todos os dias.

Como você avalia a educação em Holambra? Quando o assunto é educação, o desafio é grande em todo lugar. Em Holambra, temos uma rede de ensino muito boa que atende cerca de 2.400 alunos desde a educação infantil até o fundamental II. Quase metade desses alunos estudam período integral. Poucas cidades da região oferecem isso às famílias que precisam.

Que recado você dá aos jovens que pensam em seguir a carreira de professor? Peço aos jovens que não desistam de seus sonhos. Que não se permitam frustrar com o primeiro não que receberem. Quero deixar aqui uma frase que gosto muito e que, toda vez que me sinto desanimado, digo para mim mesmo e sigo em frente: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, do livro Pequeno Príncipe.

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