14/05/2017

Mãe de Holambra relembra difícil trajetória na gravidez e relata desafios da maternidade

Lisa Santos tem 35 anos e fala como se apegou a fé para superar dificuldades

Leonardo Saimon

Lisa Santos tem 35 anos, mora em Holambra e é mãe solteira. Ela busca na mente momentos que talvez preferisse esquecer. Enquanto isso, a pequena Helena, de apenas 3 anos, corre pela casa: ela é o milagre de Lisa. “Deus escolhe mães especiais para terem filhos especiais”, diz a mãe.

Tudo começou quando Lisa sentiu no coração que havia chegado o momento de ser mãe. Helena não foi fruto do acaso, ou de um deslize, mas resultado do desejo ardente de Lisa pela maternidade. “Sabe quando o relógio toca e você sente que aquele é o momento? Pois é. Eu conversei com o meu marido e disse a ele que queria ser mãe”, lembra.

As coisas, todavia, não saíram da forma como Lisa imaginava e a gravidez de nove meses, durou quase que uma eternidade. “A Helena foi programada, o que não foi programado foram as consequências que eu tive. Passei uma gestação muito difícil”, conta. No começo, Lisa não conseguia tomar água e logo ficou desidratada. Ela descobriu que tinha hiperêmese gravídica – excesso de náuseas e vômitos durante a gestação e ficou internada em um hospital em Sumaré (SP). Enquanto esteve internada, os médicos a diagnosticaram com pedra na vesícula e complicações com a doença resultaram em uma pancreatite.

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“Com quatro meses, eu tive que fazer uma cirurgia. Foi tudo bem na cirurgia, depois, com 22 semanas eu fiz um morfológico. Foi quando eu descobri que ela tinha hidrocefalia”, conta. A notícia rendeu duas semanas de choro para Lisa e a vida parecia ter acabado ali. Na época, o esposo de Lisa também compartilhava do sofrimento. Imagens que pesquisara na internet de crianças com hidrocefalia serviram apenas para mais causar dor. “Foi a pior coisa que a gente fez, porque nós vimos o pior lado da doença” lamenta.

O tempo passou e as notícias foram as mais desanimadoras possíveis. Novos diagnósticos apontaram que Helena tinha Síndrome de Danger Walker, sopro no coração de dois milímetros que, segundo os médicos, não era o agravante, o problema estava na cabeça. E quanto mais descobria a dimensão dos problemas, mais Lisa chorava.

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As consultas com o neurologista só causavam dores que Lisa não sabe descrever, porém lembra o que sentiu. “Cadê o teu Deus?”, dizia o marido enquanto fixava os olhos em Lisa. “Meu Deus está aqui, eu creio nele. Mas eu sou ser humano”, respondeu Lisa. “O médico dizia que a Helena teria uma vida normal, mas que a gente teria uma filha totalmente retardada. Morri mais uma vez por dentro”, descreveu com lágrimas nos olhos. Tais palavras cortaram a alma de Lisa.

O milagre de Lisa

A dor física havia terminado, contudo restava a dor emocional. Assim que Helena nasceu, ela foi levada direto para UTI. Não tinha fotos para registrar o momento, Helena não chorou como as demais crianças e nada foi como Lisa sonhou. Com dez dias, Helena passou pela primeira cirurgia, e, com dois meses de vida, esse número subiu para 11 – seis na cabeça e cinco na barriga. “Foi muito difícil. Eu nunca sabia se minha filha ia superar tudo isso. Os médicos falavam para mim, quando eu estava gestante, que ela ia nascer com tremor no olho, que ela ia ter dificuldades para andar e que talvez ela não falaria. Mas a Helena fala demais. Ela é o meu milagre”, exclama.

Mãe solteira

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Um salto no tempo de pouco mais de três anos e poucas são as marcas que distinguem Helena das demais crianças. Todavia para cuidar da filha, Lisa se dedica integralmente. Precisou abrir mão de viver a própria vida para gerenciar a rotina da criança. Um ano depois de Helena nascer, Lisa e o esposo se separaram e agora cabe a mãe o cuidado e a atenção à filha. “Mãe não é eterna, preciso ajudá-la enquanto posso”, acredita. O pai ajuda financeiramente, mas a mãe reconhece que Helena cresce sem o amor paterno.

Lisa sabe que não é fácil ser mãe solteira, porém isso não significa que está só. Embora não possa trabalhar por conta da rotina de Helena, a mãe, as duas irmãs  e o irmão dão a ajuda que ela precisa. Se assim não fosse, Lisa talvez não conseguisse lidar com tudo isso.

Ela não entrou em detalhes sobre a separação, relatou apenas que foi outra fase que precisou vencer, entretanto, diz que tem percebido uma realidade constante em suas experiências com outras mães que têm filhos especiais. “Vejo que muitos pais abandonam as mulheres que têm filhos especiais. Mas Deus escolhe mães especiais para terem filhos especiais”, constata.

Ter outros filhos não está nos planos Lisa, contudo com uma prece, ela deixa tudo nas mãos de Deus. Hoje, ela espera pelo melhor. O passado parece ter sido cruel, mas enquanto brinca com Helena, Lisa sabe que tudo valeu e valerá a pena. Ela gerou dentro de si um milagre.

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