21/07/2017

Levantamento aponta nível de problemas com crack em Holambra

Confederação Nacional dos Municípios coloca ‘Cidade das Flores’ em categoria intermediária de ranking sobre a droga

Da redação

Holambra possui nível médio de problemas com o crack, assim como outros 259 municípios do interior paulista. A informação é fruto de um levantamento feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que analisou dados de todas as cidades do Brasil. O ranking é constantemente atualizado com informações enviadas pelas prefeituras.

Embora não apresente números, o levantamento coloca Holambra na categoria intermediária do ranking, a dos que possuem nível médio de problemas com o entorpecente. Indagada, a Prefeitura do município não apresentou dados sobre o assunto nem uma estimativa do número de usuários de drogas na cidade.

Até o fechamento desta matéria, o Executivo municipal também não apresentou as medidas que toma para prevenir e tratar as vítimas do crack na cidade.

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Na região, as cidades de Artur Nogueira (SP), Cosmópolis (SP), Paulínia (SP), Americana (SP), Sumaré (SP), Hortolândia (SP), Mogi Guaçu (SP) e Itapira (SP) foram classificadas com nível alto de problemas com crack. Engenheiro Coelho (SP), Mogi Mirim (SP), Limeira (SP) e Santo Antônio de Posse (SP), além de Holambra receberam classificação de nível médio. Já Nova Odessa (SP) e Jaguariúna (SP) aparecem no ranking como tendo baixo nível de problemas com o entorpecente.

Crack

O crack é um subproduto da cocaína, mais barato e mais acessível, mas com efeito muito mais devastador. É assim que Alexandre Castanheira define, resumidamente, o que é essa droga tão temida. “O crack, por si, é o fim”, afirma, referindo-se à busca pelo “barato”, o efeito entorpecente das drogas. “De cada 100 que experimentam o crack, 99 ficam viciados”, alerta o psicoterapeuta da Clínica Huxley, em Artur Nogueira (SP).

Castanheira comenta que a fumaça do crack vai direto para o sistema nervoso central, provocando um “barato” intenso e imediato. Em seguida, surge uma sensação de compulsão e obsessão, pois o usuário para a querer mais e mais o entorpecente. “Só que chega num estágio em que aquela loucura não aumenta; só aumentam as lesões pulmonares e cerebrais”, explica.

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Segundo ele, há um teto para o efeito da droga. Depois que se alcança esse limite, o viciado aumenta cada vez mais as doses, porém nunca chega ao efeito desejado. Em vez disso, os estragos físicos e emocionais são agravados pelo consumo crescente e descontrolado do crack. Os usuários, então, passam dias sem dormir, comer e até beber água, buscando aumentar o efeito da droga. “Eles começam a vegetar, não mais viver”, assevera.

O pior efeito do crack, de acordo com Castanheira, é a amortização emocional. “Eles ficam sem saudade, sem compaixão, sem higiene e qualquer preocupação com sua apresentação; eles vivem para usar e usam para viver”, afirma. “Então o dependente não se preocupa com a mãe, com os filhos, com ninguém, porque a emoção dele está morta. As sensações vêm só pela droga”, descreve.

Saída

O psicoterapeuta ainda ressalta que há muito preconceito com os dependentes químicos. “As pessoas acham que os dependentes químicos são vagabundos ou bandidos”, lamenta. Na verdade, segundo ele, o envolvimento com as drogas geralmente funciona como uma fuga. “Uma fuga do vazio, do fracasso nos relacionamentos, no trabalho, na vida”.

Quanto à solução para a dependência, apesar do tratamento em clínicas de reabilitação, como a Huxley, Castanheira destaca que só há um jeito de escapar do vício. “A única saída é Deus”, declara. “A única coisa que preenche o vazio é Deus. A droga só entra na vida de pessoas vazias”, admoesta.

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Números no mundo

De acordo com a CNM, cerca de 5% da população mundial consumiu algum tipo de droga em 2015 – o equivalente a aproximadamente 250 milhões de pessoas. Dentre esses, 190 mil morreram prematuramente no mesmo ano por causas diretas relacionadas ao uso de entorpecentes. Os dados são do Relatório Mundial sobre Drogas, divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

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