06/05/2018

Conheça o estudante de Holambra que apresentará pesquisa na Europa

Atualmente, Pedro Filipini faz mestrado em Estatística

Da redação 

“Não existem limites para aqueles que correm atrás de seus sonhos”. A frase pode parecer o mais puro clichê motivacional ou até mesmo um simples aglomerado de palavras bonitas sem sentido, mas são a realidade de Pedro Henrique Filipini dos Santos. O jovem de 26 anos, que estudou por boa parte de sua vida na escola Ibrantina, aqui em Holambra, está a alguns passos de embarcar ao Reino Unido, mais precisamente em Edimburgo, na Escócia, para apresentar uma pesquisa na área de Estatística.

Porém, um novo desafio se colocou entre Pedro e o seu sonho de expor suas ideias no exterior. Um desafio que muitos brasileiros conhecem de perto: dinheiro. Não é barato cruzar o oceano em um avião a jato, mas quem disse que isso interrompeu Pedro? Acontece que o jovem sabe de uma outra coisa que os brasileiros conhecem muito bem: a solidariedade.

Através de uma vaquinha online (que você pode acessar para ajudar clicando aqui), Pedro está muito próximo de reunir os recursos necessários para que possa apresentar sua pesquisa de mestrado no continente europeu. Para conhecer um pouco da trajetória do jovem pesquisador, o Portal Holambrense conversou com Pedro Filipini sobre seus estudos em Holambra e também sobre seus anseios para o futuro, quando terminar o mestrado. Confira:

 

O que mais te marcou durante o período em que estudou em Holambra? Certamente foi o apoio de meus amigos e professores, que, de uma forma ou de outra, se mostraram presentes em diversos momentos importantes na formação de meu caráter.

O que te levou a optar por cursar Ciências Econômicas? Era sua única opção? Escolher um curso de graduação nunca é fácil. Na época, a minha decisão foi tomada baseada no meu desempenho nas disciplinas do ensino médio. Eu tinha mais familiaridade com matemática, história, português e geografia, ao passo que física, biologia e química me traziam considerável dificuldade. Optei por Ciências Econômicas por ser uma área mais abrangente, mas eu não sabia que um economista deveria entender de áreas como macroeconomia, microeconomia, econometria, economia brasileira e internacional, história econômica e economia política. Apesar disso, consegui me adaptar ao curso e não me arrependo de minha escolha. Minha segunda opção era Ciências Contábeis, um curso mais voltado à área financeira. Quando ingressei na UNIFESP fiz algumas matérias de contabilidade, mas, apesar de ser um ótimo curso, não me identifiquei tanto.

Como foi o processo de estudar para o vestibular? Foi fácil? O vestibular nunca é fácil, ainda mais para um aluno que não está realizando um cursinho pré-vestibular. Comecei a estudar por conta própria para as provas quando estudava na E.E. Ibrantina Cardona. Tive apoio de diversos professores nessa época, mas, principalmente, dos professores Celio Olivera e Marcel Montoro. Também contei com o apoio de colegas que me emprestavam livros de seus respectivos cursinhos. Infelizmente, não passei em minha primeira tentativa, mas no ano seguinte consegui ingressar na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) por meio de minha nota no ENEM.

Durante a faculdade, quais áreas mais despertaram seu interesse? Sempre adorei matemática, então tive bastante interesse por econometria e modelagem durante a graduação. Esse interesse, associado à ajuda de meu orientador, me levou a realizar diversos cursos externos relacionados à estatística e econometria. Tais cursos, por sua vez, me fizeram optar pela pós-graduação em Estatística.

Quando o interesse pela pesquisa começou? Acredito que o desenvolvimento do interesse por pesquisa é um processo natural da pós-graduação. Assim como a graduação prepara um determinado indivíduo para ter conhecimento suficiente para exercer determinada profissão, a pós-graduação tem como objetivo apresentar ao estudante o que há de mais avançado dentre os estudos de determinada área. Ter contato com tais estudos, seja por meio de professores, artigos, congressos, encontros ou outros tipos de evento, contribuíram para o despertar desse interesse.

 

Nos conte sobre a sua pesquisa em si. Tentarei simplificar: É um estudo de causalidade. Mais precisamente, minha pesquisa possui foco em métodos de análise de efeitos de tratamento individuais em estudos observacionais, ou seja, de indivíduos cujos tratamentos não foram aleatorizados, de forma que possa existir diferenças acerca do comportamento do grupo que recebeu o tratamento pois tal grupo possuía determinadas características que podem tê-lo privilegiado ao ser escolhido para receber o tratamento em questão.  O objetivo é identificar, com maior segurança, possíveis grupos que possam ter respostas distintas ao tratamento recebido. São utilizados modelos de Machine Learning para a modelagem. Acredito que não cabe aqui entrar nas especificidades do modelo ou da metodologia, mas cabe salientar que tais técnicas podem ser transportadas com relativa facilidade à outras áreas do conhecimento, como saúde e economia, por exemplo.

Como foi que surgiu a oportunidade de apresentar seu trabalho no exterior? O ISBA World Meeting é o mais importante evento de minha área de estatística bayesiana. Pesquisadores de todo o mundo enviam suas pesquisas buscando apresentá-las durante o evento, então, basicamente, é um processo de seleção. Normalmente os estudantes de pós-graduação recebem auxílio financeiro de sua universidade para esse tipo de evento, mas, infelizmente, não fui comtemplado, tendo em vista os recentes cortes de recursos destinados às áreas relacionadas à educação no país. Assim, considero que a oportunidade surgiu, de fato, somente quando meus amigos me convenceram a fazer a vaquinha, pois, sem a ajuda das diversas pessoas que me apoiaram nas últimas semanas, eu certamente não realizaria tal apresentação.

Quais seus objetivos para o futuro? Para os próximos anos penso em um doutorado, mas atualmente estou focado em finalizar o mestrado. Pensarei nas demais possibilidades após minha defesa, a qual deve ocorrer no segundo semestre deste ano.

Qual a importância de Holambra em todo este processo? Ao falar da importância de uma cidade, estamos falando da importância das pessoas que vivem nela. Holambra é o lugar onde se encontram alguns de meus melhores amigos e professores. O apoio deles, junto com o de minha família, foi essencial para que eu chegasse onde cheguei hoje.

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