22/10/2017

Assessor da Câmara de Holambra conta sobre bastidores da política local

Jorge Lander explica como é enxergar por dentro da política holambrense

Rui do Amaral

Poder Legislativo. Na esfera municipal, este, que compõe os três poderes que regem o país, traduz-se na forma da Câmara Municipal. Claro, isso todo mundo sabe. Os vereadores que compõe a casa são (ou deveriam ser) conhecidos pela maioria da população. Afinal, são eles os incumbidos de fiscalizar de perto as ações do Executivo e correr atrás de melhorias para a população que não onerem a Prefeitura.

Porém, uma figura muitas vezes passa despercebida no Legislativo holambrense. Esta, como nenhuma outra, observa o que os vereadores fazem no dia-a-dia da Câmara e trata de repassar todos os principais detalhes aos mais diversos meios de comunicação. O objetivo? Fazer com que você, leitor, saiba de tudo que ocorre no plenário. Estamos falando, é claro, do assessor da Câmara.

Jorge Lander nasceu em Santos (SP), mas, há dez anos, vive e respira Holambra. Assessor da Câmara Municipal desde janeiro de 2014, o reservado homem de família (Jorge é pai de gêmeos) guarda uma história emocionante de como veio parar na ‘Cidade das Flores’. Na seguinte entrevista, o holambrense de coração conta os detalhes de sua vinda ao município e o que avalia da cidade que o acolheu, fazendo um interessante panorama de Holambra sob o olhar de quem conhece as mais secretas engrenagens da política municipal.

Nos conte um pouco sobre sua história antes de chegar a Holambra. Nasci em Santos em uma família pequena de classe média, radicada há décadas na cidade. Fiz duas graduações, Jornalismo e Ciências da Computação, um pela manhã e outro à noite. Aos sábados havia atividades extras em ambos. “Mudar a chave” entre exatas e humanas acabou ficando normal.

O que você fazia em Santos-SP? Já tinha experiência com assessoria? Por uma questão de oportunidade fiz estágio no setor de informática em uma refinaria da Petrobrás, em Cubatão. Isso me encaminhou naturalmente para a área. Comecei a dar aulas de lógica e linguagens de programação na Universidade em que me formei. Fiz uma pós na área de sistemas digitais e segui dando aulas durante 15 anos em cursos técnicos e cursos superiores de Análise de Sistemas.  Casei em 1996 e em 2003 os gêmeos vieram. Observando o panorama na época, me parecia que bastava seguir o caminho que vinha trilhando e que tudo daria certo.

Por que você decidiu sair de Santos? Em que ano foi isso? Bom, porque nem tudo deu certo. Nunca havia pensado em mudar da cidade, minha família, amigos e história estavam lá. Infelizmente, após pequenos incidentes relacionados à segurança, um fato mais grave aconteceu: em 2007 meu único irmão, meu grande amigo, vizinho de porta, faleceu em uma tentativa de assalto. Tinha só 34 anos, havia acabado de casar. Aquilo me deixou transtornado.  Meus filhos eram pequenos, eu precisava sair todas as noites para trabalhar, chegava tarde, não vi condições seguras para ficar. Em janeiro de 2008 mudamos para Holambra.

Por que Holambra? Já havia visitado Holambra inúmeras vezes, mas nunca havia pensado em morar aqui. Inicialmente eu e minha esposa pensamos em Jaguariúna, mas circulando pela cidade “o santo não bateu”. Nessa ocasião, antes de retornar a Santos, decidimos almoçar em Holambra e demos um giro longe dos pontos turísticos, pelos bairros. Adoramos. Antes da decisão final lembro de ter consultado o site da Secretaria de Segurança Pública de SP para verificar a criminalidade: era baixíssima. Estava feito.

Quando chegou aqui, em uma cidade totalmente nova para você, o que passou em sua mente? Chegou a se arrepender? Não me arrependi nem por um instante. Inicialmente a cidade se mostrou um porto seguro, ajudou a abrandar o trauma que carregava. Parecia o lugar perfeito para literalmente recomeçar. Com o passar do tempo fomos conhecendo melhor outras qualidades da comunidade local, como a cultura diferenciada e um destacado senso de voluntariado.

Nos conte um pouco sobre seus primeiros dias em Holambra. O primeiro ano na cidade foi uma espécie de período de remissão. Voltei a praticar a atividade que sempre me deu muito prazer, escrever, o que me levou a procurar uma editora local e publicar um livro independente, por satisfação pessoal. O jornal ligado à editora me convidou para substituir um jornalista durante o período de férias. Aqui estou sendo bem resumido, entre todos esses acontecimentos passaram-se três ou quatro anos que foram de reconstrução pessoal.

Como você chegou até o cargo de assessor da Câmara de Holambra? O que seria apenas uma substituição passageira acabou se estendendo. Uma das minhas atividades periódicas no jornal era cobrir as sessões e audiências públicas da Câmara, que estava com dificuldades em encontrar um assessor de comunicação. Então decidi me candidatar ao cargo. Isso foi em janeiro de 2014.

Em todos esses anos à frente da assessoria do Legislativo, alguma história curiosa chamou sua atenção? Muitos eventos produziram casos interessantes, mas as histórias mais curiosas que conheci durante esse período vieram dos próprios vereadores. A história da vida de cada um, os tropeços e acertos durante os estudos e no exercício de suas profissões, o caminho que trilharam até a Câmara. Essas histórias me fizeram entender melhor não apenas a forma como agem no exercício do mandato, mas também os anseios dos eleitores que representam.

Como você vê a evolução do cenário político em Holambra no período em que atua como assessor? Não sei se é possível falar em evolução ou involução quando o assunto é política. Cada período político tem situações e protagonistas próprios.  É necessário identificar e aprender a lidar de forma adequada com cada situação.

Após este tempo vendo o Legislativo por dentro, você deve entender o mecanismo da Câmara como pouquíssimas pessoas. Em sua opinião, quais características um cidadão deve ter para ser um bom vereador? Dizer que o cidadão deve se importar com o bem comum para ser vereador seria simplista demais. Há outras formas de fazer isso, participando de conselhos municipais, através de voluntariado, etc. Ele deve crer que é possível promover o bem comum praticando política, e isso é um desafio e tanto. Evidentemente deve cumprir os deveres básicos de um vereador, que é fiscalizar o Executivo e representar os anseios da parcela da população que representa.

Você já pensou em se candidatar? Por quê? Nunca, de jeito nenhum. Adoro trabalhar no ambiente Legislativo, mas nunca me candidataria. As responsabilidades da vereança são muito maiores do que a maioria da população percebe. Há limitações nas iniciativas que um vereador pode tomar – por exemplo, não pode propor projetos que onerem o Executivo – e as pressões vêm de todos os lados. Os vereadores devem tomar decisões importantes relativas a orçamento municipal, código tributário, expansões urbanas e tantas outras que impactam diretamente na vida da população, as responsabilidades são enormes.

Você acha que a população de Holambra é politizada? As dimensões da cidade permitem às pessoas uma proximidade maior com os agentes políticos. Você vai ao supermercado e cruza com um vereador, vai jogar futebol no final de semana e encontra outro. Também é possível encontrar o Prefeito e diretores municipais em eventos e cobrar soluções para determinadas demandas. Isso é muito difícil em grandes cidades, onde você só vê os políticos pela TV. Mas não posso afirmar que esse contato mais próximo, que é positivo, representa um grau maior de politização. Como em todas as cidades, guardadas as proporções, existem grupos organizados e pessoas mais engajadas. Normalmente o engajamento cresce quando uma polêmica mais abrangente surge, aí a mobilização é naturalmente maior.

Qual a importância de a população acompanhar o trabalho dos vereadores? É fundamental que isso aconteça, tanto com relação aos vereadores quanto aos representantes do Executivo. Participando das sessões da Câmara, audiências públicas, das reuniões dos conselhos municipais. Hoje em dia os mecanismos de transparência estão em franca evolução e nas páginas do Legislativo e Executivo municipais é possível acompanhar o que está sendo feito nas várias esferas da administração.

O que Holambra significa para você? Não sou descendente de holandeses, mas senti na pele a sensação de acolhimento que Holambra proporcionou em um momento difícil da vida. Continuo santista de nascimento e como torcedor, mas hoje sou, acima de tudo, holambrense. Em suma, é minha casa e a casa de minha família.

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